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UMG e Sony processam a Suno pela segunda vez e miram o modelo v6

As gravadoras dizem que o modelo novo foi construído sobre as saídas dos antigos, treinados com gravações sem licença.

Por Redação The Inherent · 01:26 · 19/09/2026

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Fórum federal de Boston, onde a ação foi aberta
Fórum federal de Boston, onde a ação foi aberta Foto: 4300streetcar/Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

Universal Music Group e Sony Music entraram com uma nova ação contra a Suno na sexta-feira (18), na Justiça federal de Boston. As duas gravadoras acusam a empresa de inteligência artificial de copiar 60.202 gravações sem licença para construir os modelos que alimentam o serviço de geração de música.

A lei americana prevê até US$ 150 mil por obra em caso de violação deliberada. Aplicado às 60.202 gravações, o teto teórico passa de US$ 9 bilhões. As gravadoras pedem ainda até US$ 2.500 por cada contorno da proteção contra download do YouTube, o que acrescentaria cerca de US$ 150 milhões caso o valor máximo fosse aplicado uma vez a cada gravação, e querem uma ordem judicial que impeça qualquer uso futuro do acervo delas, com julgamento por júri.

O centro da ação é o v6, conjunto de modelos que a Suno lançou em 9 de setembro. A empresa afirma que ele foi treinado do zero, sem dados da Universal ou da Sony. As gravadoras respondem que o v6 aprendeu com as saídas e com os dados de preferência dos modelos anteriores, e resumem a tese numa frase: o modelo novo não é um recomeço, é o fruto da mesma árvore envenenada.

Os acordos da própria Suno viraram argumento contra ela. A empresa fechou com a Warner em novembro de 2025, com a BMG em 12 de agosto e com a Believe em 8 de setembro. Para as autoras, três acordos em menos de um ano demonstram que existe um mercado de licenciamento, o que, segundo elas, enfraquece a defesa de uso justo. A ação cita também o dado da Deezer, que informou em julho de 2026 que, nos dias de pico de junho, mais da metade das faixas novas recebidas pela plataforma já eram geradas por IA, chegando a cerca de 90 mil por dia.

Entenda os termos

uso justo
no direito americano, a exceção que permite usar obra protegida sem autorização em certos casos, como crítica, ensino ou pesquisa. É a principal defesa das empresas de IA.
destilação de conhecimento
técnica em que um modelo novo é treinado para reproduzir o comportamento aprendido por um modelo anterior, em vez de aprender direto dos dados originais.

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