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APRA AMCOS bate recorde de receita, mas mais de 91% do streaming australiano é importado

A entidade que arrecada direitos autorais na Austrália e na Nova Zelândia somou A$ 857,4 milhões no ano fiscal encerrado em junho, alta de 8,8%

Por Redação The Inherent · 11:26 · 21/10/2026

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Dean Ormston, executivo-chefe da APRA AMCOS
Dean Ormston, executivo-chefe da APRA AMCOS Foto: Seshanka Samarajiwa.

A APRA AMCOS, entidade que arrecada e distribui direitos autorais de compositores, autores e editoras musicais na Austrália e na Nova Zelândia, teve receita recorde de A$ 857,4 milhões, cerca de US$ 599 milhões na conversão da Billboard, no ano fiscal de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026. A alta foi de 8,8% sobre o ano anterior, puxada pelo digital, pelo dinheiro vindo do exterior e pelo licenciamento de execução pública.

A receita líquida distribuível do grupo, o que vai para os membros, foi de A$ 755,7 milhões, alta de 10,6%. A arrecadação internacional bateu recorde, com A$ 103,2 milhões, e passou de A$ 100 milhões pela primeira vez, com turnês de artistas como Ninajirachi e o crescimento das obras para tela no mundo, puxado pelo desenho infantil Bluey. O digital responde por mais de 53% do total e cresceu 12,5%. A receita de execução pública da OneMusic subiu 10,9%, com shows e eventos, academias e restaurantes.

Separadas, a APRA gerou A$ 557,2 milhões, alta de 6,9%, e a AMCOS, A$ 300,2 milhões, alta de 12,6%. A relação entre despesas e receita do grupo caiu de 13,26% para 11,86%. No mercado de shows, a entidade diz que o público continua gastando com eventos grandes e caros, como os de AC/DC, Ed Sheeran e Oasis, o que deixou mais fracas as vendas de turnês médias e festivais menores.

O mesmo relatório traz o dado ruim. Mais de 91% da música ouvida em streaming pelos australianos no ano fiscal era importada. Na Nova Zelândia é pior: 96% da música consumida no país foi criada por artistas de fora. "Se a tendência atual continuar, a participação dos membros australianos no streaming caminha para cair para perto de 5% nos próximos cinco anos", disse Dean Ormston, executivo-chefe da APRA AMCOS. "É uma estatística devastadora."

A APRA comemora 100 anos e tem mais de 135 mil compositores, autores e editoras como membros. Ormston diz que o desafio agora é a inteligência artificial: garantir que os membros sejam consultados e pagos quando as obras forem usadas para treinar ou gerar conteúdo de IA. Em junho, a APRA AMCOS levou o tema à assembleia geral da CISAC, a confederação internacional de sociedades de autores, em Paris, onde apresentou com parceiros internacionais o Paris Commitment, compromisso de proteger, reconhecer e remunerar de forma justa os criadores humanos. Depois, a direção foi a Canberra pedir ao governo australiano que mantenha a lei de direito autoral, diante da pressão das grandes empresas de tecnologia por uma exceção de mineração de textos e dados. "Nossa posição continua clara e simples: permissão e pagamento", disse Ormston.

Entenda os termos

receita líquida distribuível
O dinheiro que a entidade repassa aos membros depois de descontar os custos de operação.
execução pública
Uso de música em lugares abertos ao público, como shows, rádio, TV, lojas, academias e restaurantes, que gera pagamento de direitos.
mineração de textos e dados
Uso automatizado de grandes volumes de textos, músicas ou imagens para extrair padrões, como no treino de modelos de IA.

Fontes

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