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Universal diz que música de IA cresce mais rápido que as proteções

No balanço do terceiro trimestre, a gravadora pediu rótulos claros e criticou o pagamento igual a faixas totalmente geradas por IA

Por Redação The Inherent · 11:08 · 30/10/2026

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Universal diz que música de IA cresce mais rápido que as proteções
Foto: Coolcaesar/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

O volume de música feita por inteligência artificial cresce mais rápido que as proteções. O alerta é de Lucian Grainge, que comanda a Universal Music Group, e veio na quinta-feira (29), na teleconferência em que a gravadora divulgou os resultados do terceiro trimestre.

Grainge citou os números mais recentes do Deezer, serviço de streaming que recebe mais de 90 mil faixas totalmente geradas por IA todos os dias. Como exemplo, apontou as paradas de blues de alguns grandes serviços, onde até cinco dos dez primeiros álbuns são atribuídos a artistas gerados por IA, sem rótulo claro nem aviso.

Qual é a proposta? A Universal diz que vai fazer valer as proteções previstas em contrato e insistir em rótulos mais claros em todo o setor. Para Grainge, o pagamento pro rata aplicado de forma uniforme piora o problema: ele trata faixas de IA como se fossem iguais às grandes canções de grandes artistas, estimula a produção em escala industrial e dilui a remuneração de quem tem talento de verdade. Faixas de IA geradas de forma antiética nunca deveriam ser remuneradas nos mesmos termos que a música que cria demanda real e duradoura, disse o executivo.

A Music Ally observa que a Universal pode agora pressionar os serviços de streaming a não apenas deixar de recomendar essas faixas, mas a desmonetizá-las e talvez até removê-las.

O diretor digital da Universal, Michael Nash, reforçou o tom. Elogiou as medidas recentes de Spotify, Deezer e Apple Music, mas disse que elas não bastam, e falou em poluição do ecossistema em escala massiva.

Há um detalhe de contexto. Em teleconferências anteriores, Nash tinha minimizado o efeito da música de IA no negócio da Universal. Em março, um grupo de lobby apoiado pela Suno usou essas falas para dizer que elas enfraqueciam os processos das gravadoras contra a empresa. Nash respondeu que os dados apresentados antes eram de 2025 e que os comentários desta quinta descrevem o que acontece três trimestres depois.

Nos resultados, a receita subiu 12,3% sobre o ano anterior, para € 3,39 bilhões (US$ 3,8 bilhões na cotação atual), segundo a Music Ally. O número inclui a Downtown Music, que não estava no trimestre do ano anterior. A câmbio constante, o crescimento foi de 11,7% com a Downtown e de 5,3% sem ela. A receita de assinaturas de música gravada subiu 19,2% a câmbio constante, ou 9,5% sem a Downtown, segundo o balanço da Universal.

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