Talibã queima 650 instrumentos musicais na província de Khost, no Afeganistão
Não é a primeira queima anunciada em Khost neste ano: em maio, o grupo disse ter destruído centenas de instrumentos e imagens na mesma província

O Talibã queimou 650 instrumentos musicais considerados “imorais”, além de amplificadores, subwoofers, CDs e DVDs, na província de Khost, no leste do Afeganistão, segundo Mustaghfir Gurbaz, porta-voz do grupo na região, citado pela Consequence. A queima, de acordo com ele, faz parte de um esforço para “prevenir vícios, fortalecer os valores islâmicos e reformar a sociedade”.
Os instrumentos, na maioria guitarras e teclados, parecem ter sido apreendidos principalmente em casamentos em Khost, segundo a Consequence. As fotos da queima mostram uma coluna grossa de fumaça preta sobre a cidade.
Khost já tinha registrado outra queima neste ano. Em maio, o porta-voz do gabinete do governador do Talibã em Khost informou que 829 instrumentos e imagens de seres vivos tinham sido queimados, segundo o site afegão KabulNow; a Amu TV, citando comunicado do gabinete do governador, fala em 892. Dois meses antes, cerca de 600 instrumentos tinham sido queimados nas províncias de Parwan e Laghman. Em setembro, foi a vez de quase 200 instrumentos em Logar, recolhidos ao longo de cinco meses.
O Talibã proibiu a música em público durante o primeiro governo, de 1996 a 2001. Desde que voltou ao poder, em agosto de 2021, depois da retirada das tropas americanas, o grupo voltou a restringir a música: pela interpretação da lei islâmica adotada pelo Talibã, tocar e ouvir música é proibido, e a música foi tirada da televisão e do rádio, segundo o KabulNow.
Músicos deixaram o país com medo de perseguição, segundo a Consequence. A polícia de costumes do Talibã também invade festas particulares: em julho, ao menos 14 pessoas foram detidas na província de Nangarhar por tocar música numa reunião privada.
Entenda os termos
- subwoofer
- Caixa de som feita para reproduzir os graves mais baixos.
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