Belchior faria 80 anos nesta segunda (26), no ano em que Alucinação completa 50
Para Mauro Ferreira, do G1, o culto ao cantor cresce, mas gira em torno do disco de 1976 e deixa de lado boa parte da obra

Belchior faria 80 anos nesta segunda-feira (26). Antonio Carlos Belchior nasceu em 26 de outubro de 1946 e morreu em 30 de abril de 2017, aos 70 anos, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Foi velado em Sobral, no Ceará, a cidade onde nasceu.
A data cai no ano em que Alucinação, considerado a obra-prima dele, completa 50 anos. Lançado em 1976, foi o segundo álbum de Belchior e trazia "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida", que Elis Regina tinha lançado em 1975 no espetáculo Falso Brilhante, além de "Apenas um Rapaz Latino-Americano". Em 29 de agosto, estreou no Canal Brasil a minissérie Alucinação, com episódios semanais, para comemorar os 50 anos do disco.
Na análise publicada no G1 nesta segunda, o crítico Mauro Ferreira lembra que houve uma época em que o nome de Belchior andou quase esquecido pelo mercado da música. A redescoberta começou quando ele sumiu, num exílio errante entre 2007 e 2017 pelo Uruguai e por cidades do interior do Rio Grande do Sul, e o culto cresceu depois da morte. Livros, série, cinebiografia, documentário, musicais e shows em tributo ampliaram o interesse pela obra.
Para Ferreira, porém, esse culto gira em torno de Alucinação. Ele reconhece que quase todo o melhor da obra está nas dez faixas do disco, em que Belchior olhou o Brasil pelo ângulo do migrante nordestino que saiu da terra natal em busca de um lugar ao sol no Sudeste. E soma a elas canções como "Mucuripe" (1972, com Fagner), "Todo sujo de batom" (1974), "Galos, noites e quintais" (1976), "Coração selvagem" (1977), "Divina comédia humana" (1978) e "Comentário a respeito de John" (1979).
O crítico sugere ir mais fundo. Na avaliação dele, os discos dos anos 1980, como Objeto direto (1980), Paraíso (1982) e Melodrama (1987), são irregulares, mas valem a busca por lampejos de inspiração. Para começar essa busca, ele indica Baihuno, de 1993, que vê como a última grande tentativa de Belchior de recuperar o vigor dos anos 1970. O último sucesso do cantor foi "Medo de avião", de 1979, segundo o G1.
Belchior apareceu em 1971, quando venceu o IV Festival Universitário da MPB, da TV Tupi, com "Na hora do almoço". Fez parte do chamado Pessoal do Ceará, com Fagner, Ednardo e Amelinha.
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