streaming

Qobuz passa a marcar música feita por IA e diz que 60% das execuções dessas faixas são fraude

A plataforma francesa tirou esse conteúdo das recomendações e da busca geral álbuns sem nenhuma audição que somam 4 milhões de faixas

Por Redação The Inherent · 11:28 · 28/09/2026

Compartilhar
Qobuz passa a marcar música feita por IA e diz que 60% das execuções dessas faixas são fraude
Foto: Reprodução/Qobuz.

O Qobuz, serviço de streaming francês, começou a exibir no aplicativo uma etiqueta que avisa quando uma música foi identificada como gerada por inteligência artificial. A marcação aparece no lançamento, ou seja, sinaliza o álbum que tem conteúdo feito por IA. O sistema de identificação foi desenvolvido pela própria empresa, que anunciou a novidade em 24 de setembro.

Segundo o Qobuz, 60% das execuções de faixas identificadas como IA são consideradas fraude pelo sistema antifraude da própria empresa, e essas execuções ficam fora do pagamento de royalties, a parte da receita que vai para os donos dos direitos. As faixas de IA somam 0,38% de todas as execuções no serviço, segundo a empresa.

O Qobuz também tirou da busca geral mais de um terço dos álbuns identificados como IA que não tinham nenhuma audição, o que soma 4 milhões de faixas. Eles continuam aparecendo se o título for buscado diretamente. O conteúdo de IA não entra nas áreas do aplicativo escolhidas pela equipe editorial, como Our Selections e New Releases, nem nas recomendações do algoritmo.

"Hoje, o desafio não é mais só detectar a música gerada por IA, e sim permitir que o ouvinte a identifique com clareza", disse Georges Fornay, diretor-executivo adjunto do Qobuz. As regras estão na carta sobre IA que a empresa publicou em fevereiro de 2026 e atualizou agora. O próprio texto admite que nenhuma solução confiável identifica hoje todo conteúdo de IA com certeza, principalmente quando houve alguma intervenção humana. Artista que achar que recebeu a etiqueta por engano deve procurar a distribuidora, empresa que entrega as músicas às plataformas.

Outros serviços seguem caminhos diferentes. A Deezer, também francesa, diz que a música feita inteiramente por IA responde por 1% a 3% das execuções na plataforma e que até 85% das execuções dessas faixas foram fraudulentas em 2025. O Tidal anunciou em junho que marca automaticamente e bloqueia de royalties a música feita só por IA, e a etiqueta para o ouvinte entrou no ar em meados de julho. A Apple Music anunciou para mais tarde em 2026 etiquetas "Made With AI", baseadas em metadados fornecidos por gravadoras e distribuidoras. O Spotify testa desde abril, em versão beta, créditos de IA que também dependem do que gravadoras e distribuidoras declaram.

Siga o The Inherent