Hit de Hugel com 206 milhões de streams no Spotify começou como uma versão feita no Suno
O produtor francês diz que refez a faixa e que a IA ficou só numa camada da voz de Ultra Naté, e as plataformas não mostram selo de IA

"Movin' to the Sun", lançada nas plataformas em nome do produtor francês Hugel, de Imael Angel e da cantora Ultra Naté, nome histórico da música de pista, tinha 206,6 milhões de reproduções no Spotify nesta segunda (26), segundo a Music Ally. Ainda segundo a Music Ally, a faixa nasceu como uma música gerada no Suno, plataforma que cria canções com inteligência artificial, pela artista e produtora húngara Gángó Bernadett, que grava como Imael Angel.
Num vídeo recente no Instagram, Hugel explicou o processo. Contou que muita gente escrevia nas mensagens que a música era "100% IA" e descreveu o caminho: Imael Angel escreveu a letra e parte das melodias e pôs tudo no Suno, que gerou uma música a partir do texto dela. "Depois disso, eu sampleei alguns pedaços do que ela fez", disse. "Rearranjei a faixa, porque o drop que temos agora não era o drop da versão dela. E basicamente reproduzimos tudo."
No vídeo, ele mostra pacotes de samples, um baixo de Moog, o Diva FX e até "um barulhinho de macaco". Os vocais de Ultra Naté foram sobrepostos aos vocais da versão original de Imael Angel, gerada no Suno. "No fim, a IA só foi usada para fazer a camada da voz da Ultra, e tudo nesta sessão foi feito por humanos", disse Hugel. "Odeie ou ame, foi assim que a música foi feita."
Nas plataformas de streaming, a faixa não tem nenhuma marcação de uso de IA. Segundo a Music Ally, o tema ainda é sensível: uma entidade responsável por paradas comemorou o desempenho da música numa publicação nas redes e depois apagou o post.
O caso esbarra nas regras que a indústria ainda discute. Pela proposta de rotulagem de IA nas plataformas liderada pela IFPI, a federação internacional da indústria fonográfica, a faixa provavelmente levaria o selo "ai" em minúsculas, pensado para músicas "criadas substancialmente por humanos" em que a IA generativa foi usada em alguns elementos expressivos, na avaliação da Music Ally. Já pelas regras para paradas oficiais propostas pelas gravadoras neste ano, que exigem que os serviços de IA usados para desenvolver a gravação sejam autorizados e legais, a resposta é menos clara: o Suno tem autorização da WMG, da BMG e da Believe/TuneCore, mas outras gravadoras ainda o processam. Neste caso, o Suno foi usado na criação da versão original, e uma camada vocal dessa versão permaneceu na gravação lançada, segundo Hugel.
Entenda os termos
- drop
- Na música eletrônica, o momento em que a faixa explode depois de uma subida de tensão, com a batida e o baixo entrando com força.
- samplear
- Reaproveitar trechos de uma gravação já existente dentro de uma música nova.
Vídeo
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Fontes
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