Sia vende 50% do catálogo à Pophouse; preço de US$ 180 milhões vem de papéis do divórcio
A empresa sueca, investidora do ABBA Voyage, confirmou a compra sem dizer o valor; segundo a Rolling Stone, a cantora prepara um show com avatar

A cantora e compositora australiana Sia vendeu 50% do seu catálogo para a Pophouse Entertainment, empresa sueca de investimento em música. Catálogo é o conjunto de músicas de um artista e dos direitos que elas geram. Em comunicado, a Pophouse confirmou a compra de metade dos direitos de edição, a parte da composição, e das masters, as gravações originais, mas não informou o preço. Segundo a empresa, o negócio ainda depende das condições habituais de fechamento.
Em nota, Sia disse que as músicas significam muito para ela e que gosta de saber que a Pophouse entende isso e quer cuidar delas. Jessica Koravos, presidente-executiva da Pophouse desde janeiro, afirmou que o catálogo e a identidade criativa da cantora oferecem oportunidades excepcionais.
O preço veio de outro lugar. Na quarta-feira (30), o site TMZ publicou documentos do divórcio de Sia e Daniel Bernad que tratam do dinheiro da venda: US$ 180 milhões pela metade do catálogo. Pelo preço divulgado, o negócio implica uma avaliação de US$ 360 milhões para 100% desses direitos. Segundo o TMZ, US$ 165 milhões correspondem a músicas compostas antes do casamento, em dezembro de 2022, como "Chandelier", "Titanium" e "Cheap Thrills". Bernad aceitou abrir mão de qualquer pedido sobre esse valor se Sia pagar a ele US$ 1 milhão. Os outros US$ 15 milhões, de canções escritas depois, ficam retidos numa conta de garantia e podem virar nova disputa se o ex-casal não chegar a um acordo.
As músicas de Sia somam bilhões de execuções em streaming e nove indicações ao Grammy. O catálogo inclui sucessos da carreira dela, como "Unstoppable", "Chandelier", "Elastic Heart" e "Cheap Thrills". "Chandelier", de 2014, foi o primeiro sucesso de Sia no top 10 dos Estados Unidos como artista principal. Ela também é coautora de sucessos de outros artistas, como "Diamonds", de Rihanna, e "Titanium", de David Guetta, em que também canta.
A Pophouse foi fundada em 2014 por Björn Ulvaeus, do ABBA, e por Conni Jonsson, fundador da gestora EQT. É uma das investidoras fundadoras do ABBA Voyage, espetáculo numa arena construída para ele no leste de Londres, em que o ABBA aparece como avatares digitais, com a aparência de 1979. A compra de Sia saiu do primeiro fundo da empresa, fechado em março de 2025 com € 1 bilhão.
É a terceira grande parceria da Pophouse com artistas em 2026. Em março, a empresa comprou, num acordo com a BMG, a participação majoritária nos direitos musicais e de nome e imagem de Tina Turner. Em julho, ficou com uma parte dos direitos de edição e das gravações do Iron Maiden, também com nome e imagem. Em 2024, fechou com o KISS um acordo que, segundo a imprensa, passou de US$ 300 milhões, e prepara para 2028 um show com avatares da banda.
Segundo a Rolling Stone, que ouviu uma fonte ligada ao negócio, Sia vai criar com a Pophouse um show com avatar digital baseado nas músicas que gravou e nas que compôs para outros artistas. A estreia está a pelo menos um par de anos de distância, e o projeto ainda está no começo. A revista afirma ainda que a participação vendida se limita aos direitos de edição e às gravações, sem nome e imagem.



