indústria

Live Nation é alvo de pelo menos três propostas de ação coletiva por vazamento de dados com registros de saúde

A dona da Ticketmaster confirmou o incidente e diz que um "pequeno número de pessoas" pode ter sido afetado

Por Redação The Inherent · 12:31 · 09/10/2026

Compartilhar
Live Nation é alvo de pelo menos três propostas de ação coletiva por vazamento de dados com registros de saúde
Foto: Coolcaesar/Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

A Live Nation, promotora de shows e dona da Ticketmaster, virou alvo de pelo menos três propostas de ação coletiva na Justiça federal dos Estados Unidos por um vazamento de dados que envolve números de seguridade social, números de documentos emitidos pelo governo e registros de saúde. Ação coletiva é o processo em que uma ou poucas pessoas pedem reparação em nome de todo um grupo de afetados. Por enquanto são propostas: para seguirem como ação coletiva, o tribunal precisa reconhecer esse grupo, o que ainda não aconteceu.

Amanda Fraga entrou com a ação dela na terça-feira (6) no Tribunal Federal do Distrito Central da Califórnia, e Toby Gosman e Isiah Ramos abriram as suas no mesmo tribunal na quarta-feira (7). Fraga e Gosman dizem ser ex-funcionários da Live Nation e afirmam ter entregado os dados pessoais à empresa por causa do emprego. Ramos não diz ter trabalhado lá: segundo a ação, ele forneceu as informações para obter serviços da empresa.

As três petições, lidas pela Music Business Worldwide (MBW), foram apresentadas por escritórios de advocacia diferentes, mas são quase idênticas, palavra por palavra. Os três autores dizem ter sabido do vazamento por uma reportagem lida na internet. As ações alegam que a Live Nation não tinha criptografado os dados e que as informações de cada autor estão hoje disponíveis na dark web, a parte da internet que não aparece nos buscadores comuns. Também alegam que a empresa levou mais de quatro meses para avisar os afetados depois de saber do vazamento. Nenhuma das ações diz quando o vazamento aconteceu nem quando a empresa soube dele.

Os pedidos são de negligência, quebra de contrato implícito e enriquecimento sem causa, em nome de uma classe nacional proposta que, segundo as ações, tem "pelo menos milhares de membros". Os autores pedem indenização, inclusive punitiva, monitoramento de crédito vitalício para os integrantes da classe e uma ordem judicial que obrigue a Live Nation a melhorar a segurança dos dados. As três afirmam que o valor em disputa passa de US$ 5 milhões e citam a lei federal americana de ações coletivas, a Class Action Fairness Act. Nenhum tribunal decidiu nada sobre os pedidos.

A Live Nation confirmou o incidente à MBW na quinta-feira (8). Em nota, disse que identificou, conteve e protegeu um incidente de segurança cibernética e que, depois de uma revisão interna e de uma investigação independente feita por uma empresa de segurança, concluiu que ele teve alcance limitado e não afetou as operações. Segundo a empresa, o "pequeno número de pessoas" cujas informações podem ter sido afetadas está sendo avisado e recebendo apoio para monitorar os dados. A nota não diz quantas pessoas foram atingidas.

A empresa comunicou o vazamento ao escritório do procurador-geral de Vermont, estado americano que mantém um registro público desse tipo de aviso, em 1º de outubro. O registro não traz a data do incidente e avisa que o número de moradores afetados pode aumentar.

A Ticketmaster, empresa do grupo, já sofreu vazamentos em 2018 e em 2024. Pelo de 2018, o órgão britânico de proteção de dados, o ICO, multou a Ticketmaster UK em 1,25 milhão de libras em novembro de 2020. Segundo o ICO, aquele vazamento pode ter afetado 9,4 milhões de clientes na Europa.

Entenda os termos

seguridade social
nos Estados Unidos, o número de seguridade social (Social Security number) funciona como o principal documento de identificação de uma pessoa, parecido com o CPF no Brasil.

Siga o The Inherent