Donos dos direitos de Elvis Presley processam a Anthropic por 274 canções
A ação, aberta na sexta-feira (23), acusa a empresa do Claude de treinar a IA com as músicas do cantor sem autorização e pede cerca de US$ 41 milhões

Uma empresa do grupo Authentic Brands, que controla boa parte dos direitos de propriedade intelectual de Elvis Presley, entrou na Justiça na sexta-feira (23) contra a Anthropic, a empresa que desenvolve o Claude, um assistente de inteligência artificial. Segundo a Billboard, que deu a notícia primeiro, a ação acusa a Anthropic de infringir 274 canções protegidas do cantor para treinar os seus modelos de IA, sem autorização. Outras empresas donas de direitos de Elvis assinam o processo junto.
Segundo a Rolling Stone, o processo se chama ABE EPE LLC v. Anthropic e pede US$ 150 mil por faixa infringida, cerca de US$ 41 milhões no total. Entre as músicas citadas estão "Can't Help Falling in Love", "Don't Be Cruel", "All Shook Up", "A Little Less Conversation" e "Return to Sender".
A acusação vai além do treino. A ação afirma que o Claude gerou material que infringe direitos de praticamente todas as músicas de todos os catálogos disponíveis na internet, inclusive as de Elvis. Diz também que, mesmo depois das travas que a empresa teria colocado ao ser processada, uma versão recente do assistente recriou músicas específicas "para um público moderno" e admitiu que o resultado ficava muito perto dos originais, com a mesma estrutura e os mesmos ganchos.
O advogado principal das autoras é Richard Busch, que já representou o espólio de Marvin Gaye no processo contra Robin Thicke e Pharrell Williams por "Blurred Lines". Na ação, ele escreve que a Anthropic "construiu todo o seu modelo de negócio com base em violação de direitos autorais numa escala nunca vista" e que as autoras são "profundamente protetoras dessas canções icônicas".
É o segundo processo de música contra a Anthropic na semana. Na quarta-feira (21), a editora Reservoir entrou com duas ações na Justiça federal dos Estados Unidos, uma contra a Suno, plataforma que gera músicas com IA, e outra contra a Anthropic, acusando as duas de usar as suas canções para criar uma IA capaz de produzir músicas novas. Segundo a Billboard, a Anthropic já enfrenta processos parecidos de vários setores criativos, inclusive de editoras musicais.
As empresas de IA defendem que o treino é protegido pelo uso justo, a exceção da lei americana de direito autoral que permite certos usos sem autorização, mas a questão segue pendente em dezenas de processos. No sábado, a Anthropic não respondeu de imediato ao pedido de comentário da Billboard. São alegações das autoras, e nenhum tribunal analisou a ação.
Entenda os termos
- espólio
- O conjunto de bens e direitos que uma pessoa deixa ao morrer, administrado por herdeiros ou por empresas que compraram esses direitos.
- uso justo
- Fair use, em inglês: exceção da lei de direito autoral dos Estados Unidos que permite usar uma obra sem autorização em certos casos, como crítica, ensino ou transformação em algo novo. Cabe ao juiz decidir caso a caso.
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