Direitos de autor batem recorde de 15,5 bilhões de euros em 2025, e a CISAC alerta para a IA
Relatório anual da confederação das sociedades de autores mostra o digital como maior fonte de renda e a execução pública, com shows e música ambiente, passando TV e rádio pela primeira vez

A CISAC, Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores, divulgou nesta quarta-feira (4), em Paris, o Relatório Global de Arrecadação de 2026, que analisa o que foi arrecadado em 2025. Os direitos arrecadados para criadores no mundo subiram 11,3% e chegaram ao recorde de 15,5 bilhões de euros. A conta inclui música, audiovisual, artes visuais, literatura e teatro. Em 2025, a CISAC reunia 228 sociedades de autores em 111 países e territórios.
A comparação com o ano anterior tem uma ressalva, feita pela própria CISAC. Pela primeira vez, o total inclui os números da MLC (The Mechanical Licensing Collective), entidade americana que arrecada direitos mecânicos. A MLC entrou na CISAC este ano e responde por cerca de 52% do aumento, por isso a entidade avisa que a alta não compara bases iguais.
O digital foi o destaque: cresceu 27,9%, para 6,57 bilhões de euros, 42,4% do total, e é a maior fonte de renda dos criadores. Em segundo lugar ficou o que a CISAC chama de Live & Background, a execução pública: shows, festivais e música tocada em lojas, restaurantes, hotéis e academias. Essa arrecadação subiu 7,7%, para 3,87 bilhões de euros, e passou TV e rádio pela primeira vez. Só a música ao vivo cresceu 14,9%, para 1,4 bilhão. TV e rádio caíram 2,6%, para 3,82 bilhões.
A música, sozinha, somou 14,06 bilhões de euros, alta de 11,9%. Dentro dela, o digital chegou a 6,41 bilhões, 45,6% da arrecadação da música, número diferente dos 42,4% que valem para o total de todas as áreas. Desde 2016, a arrecadação da música cresceu 83,5%.
Por região, a Europa segue na frente, com 8,09 bilhões de euros, 52,2% do total, alta de 6,2%. Canadá e Estados Unidos tiveram a maior alta, de 26,5%, para quase 4,5 bilhões. A Ásia-Pacífico passou de 2 bilhões pela primeira vez, com 2,01 bilhões. América Latina e Caribe arrecadaram 847 milhões de euros, alta de 9,8%, e o digital da região subiu 10,3%, para 360 milhões. A África somou 92,4 milhões.
O alerta veio do diretor-geral, Gadi Oron. Para ele, o crescimento mostra a demanda por obras criativas, mas, com a chegada da era da IA, o crescimento passado não pode ser dado como garantido, e a prioridade é garantir que a tecnologia fortaleça, e não corroa, o sustento dos criadores. O relatório sai no ano do centenário da CISAC, depois que a assembleia geral, em junho, adotou o Compromisso de Paris sobre IA, declaração que pede a governos, empresas de tecnologia e indústrias culturais que a criatividade humana continue reconhecida, protegida e paga de forma justa. O presidente da entidade, Björn Ulvaeus, cofundador do ABBA, disse esperar que, se isso for bem-feito, a inteligência artificial não diminua a criatividade humana e ajude a inspirar o próximo capítulo dela.
Entenda os termos
- direitos mecânicos
- Direitos pagos ao compositor e à editora pela reprodução da obra, como a cópia de uma música num disco, num download ou num stream.
- execução pública
- Direito pago quando a música toca em público: shows, festivais, lojas, bares, academias.
- sociedade de autores
- Entidade que arrecada e distribui os direitos de compositores e editoras, como o Ecad e as associações ligadas a ele no Brasil.
Fontes
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