Spotify diz que tirou mais de 50 milhões de faixas de slop de IA e spam das recomendações neste ano
A empresa também citou mais de 75 milhões de faixas removidas de vez, total que já tinha divulgado em setembro de 2025, quando anunciou as regras contra esse conteúdo

O Spotify disse na terça-feira (20), num post no blog oficial, que tirou mais de 50 milhões de faixas de slop e spam das recomendações só neste ano. Segundo a empresa, isso vem além de mais de 75 milhões de faixas removidas da plataforma de vez, por violações graves ou repetidas das regras. Os dois números não cobrem o mesmo período: os 50 milhões são de 2026, e o total de 75 milhões já tinha sido divulgado em setembro de 2025, quando o Spotify disse ter removido mais de 75 milhões de faixas de spam nos 12 meses anteriores, segundo a Variety. O post é um balanço das políticas contra esse tipo de conteúdo, anunciadas um ano antes.
Nos últimos seis meses, segundo o Spotify, o sistema de recomendação passou por várias mudanças para tirar slop e spam e mostrar mais música de artistas humanos. Os editores, que montam as playlists da casa, seguem o mesmo critério e não programam o que foi identificado como slop ou spam. A empresa diz que, depois das mudanças, caíram as queixas de ouvintes sobre esse conteúdo nas recomendações.
Para identificar as faixas, o Spotify diz que combina vários sinais: o comportamento e o retorno dos ouvintes, o padrão de envio das músicas, os metadados e informações de várias ferramentas de detecção de IA de outras empresas. A própria empresa reconhece que a detecção de IA tem limites. Ela também procura envios em massa, faixas duplicadas, manipulação de busca, redes de playlists de spam e faixas artificialmente curtas.
Segundo a Music Ally, mais de 300 mil artistas humanos já têm o selo "Verified by Spotify", o que, segundo o Spotify, cobre mais de 99% do que os ouvintes procuram na plataforma. Milhares de perfis de artistas gerados por IA receberam o selo "AI Persona" e ficam fora das recomendações editoriais e do algoritmo, a não ser que o ouvinte siga o perfil.
O Spotify também diz que o piso de mil execuções, regra pela qual uma faixa precisa ter mais de mil streams no último ano para gerar royalties, ajuda contra quem tenta tirar dinheiro de artistas reais gerando música em escala. Faixas com sinais fortes de terem sido feitas por IA têm dez vezes mais chance de ficar abaixo desse piso, segundo a empresa. A regra é polêmica: selos e entidades da música independente criticam o impacto dela no setor.
O balanço sai depois de um relatório do programa de política de tecnologia da Sanford School, da Universidade Duke, divulgado no início deste mês, sugerir que a playlist Release Radar mostrava músicas de IA de artistas que não tinham informado o uso da tecnologia. Segundo a Music Ally, o Spotify não respondeu diretamente ao relatório, mas o post funciona como resposta a parte das críticas.
Entenda os termos
- slop
- Palavra em inglês usada para conteúdo de baixa qualidade produzido em massa com inteligência artificial.
- metadados
- Informações que acompanham a música na plataforma, como título, artista, compositores, gravadora e data de lançamento.
- royalties
- Valores pagos aos donos de direitos de uma música toda vez que ela é tocada, vendida ou usada.
Fontes
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