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Itália abre investigação contra a Suno por termos de uso que podem ser abusivos

A autoridade de concorrência do país questiona mudança de preço sem justificativa, conta encerrada sem aviso e a renúncia aos direitos morais

Por Redação The Inherent · 15:59 · 06/10/2026

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Sede da AGCM, a autoridade de concorrência da Itália
Sede da AGCM, a autoridade de concorrência da Itália Foto: Carlo Dani/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A autoridade de concorrência da Itália, a AGCM, abriu uma investigação sobre os termos de uso da Suno, empresa que gera música com inteligência artificial. Segundo a Music Business Worldwide, o órgão informou na terça-feira (6) que os termos podem ser abusivos pelo artigo 33 do Código do Consumidor italiano, porque podem criar um desequilíbrio significativo de direitos e obrigações em prejuízo do consumidor.

A lista de pontos é longa. Segundo a AGCM, os termos parecem dar à Suno ampla liberdade para mudar sozinha o contrato, o serviço e o preço da assinatura, sem justificativa. Também parecem permitir que a empresa suspenda ou encerre contas, com o conteúdo ligado a elas, a qualquer momento, por qualquer motivo e sem aviso prévio. O órgão aponta ainda termos adicionais que o usuário não consegue ler antes de se cadastrar e uma limitação de responsabilidade muito ampla, inclusive para dano pessoal.

A parte de direito autoral, diz a AGCM, merece atenção especial. Para o órgão, a licença que o usuário concede à Suno como condição para usar a plataforma é genérica e abrangente demais e impõe a renúncia aos direitos morais, contra os artigos 20 e seguintes da Lei 633/1941. A versão atual dos termos, publicada em 10 de agosto, diz que o usuário renuncia de forma irrevogável a esses direitos e dá à Suno uma licença perpétua e irrevogável sobre todo o conteúdo, o que inclui o que o usuário envia e o que a plataforma gera a partir disso. A AGCM não disse qual versão examinou.

Em caso de disputa, os termos parecem obrigar o consumidor a uma arbitragem individual nos Estados Unidos, com prazos curtos e renúncia a ações coletivas, e aparentam fixar a jurisdição exclusiva de Massachusetts. A AGCM vai abrir nas próximas semanas uma consulta pública sobre os termos. Desde 2023, o órgão pode multar empresas por cláusulas abusivas, com valores entre 5 mil e 10 milhões de euros, segundo o site da autoridade.

A investigação chega depois de outras frentes contra a Suno. Em 18 de setembro, a Universal Music Group e a Sony Music Entertainment abriram um segundo processo de direito autoral contra a empresa, em Boston. A Warner Music Group, que tinha processado a Suno junto com as duas em junho de 2024, fez acordo em novembro de 2025. Na Europa, a Suno perdeu em 31 de julho, no Tribunal Regional de Munique, uma ação da GEMA, a sociedade alemã de gestão coletiva de direitos autorais, e disse na época que avaliava todas as opções, inclusive recurso.

Entenda os termos

direitos morais
direitos que ligam o autor à obra, como o de ter o nome associado a ela e o de se opor a alterações; em muitos países, não podem ser vendidos.
arbitragem
forma de resolver uma disputa fora da Justiça comum, com um árbitro privado escolhido pelas regras do contrato.
receita anual recorrente
quanto uma empresa de assinaturas fatura por ano com as assinaturas ativas.

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