Tribunal de apelação dos EUA recusa uso justo no treino de uma IA de pesquisa jurídica, e o caso interessa às gravadoras
A decisão é de um processo de pesquisa jurídica, mas RIAA e NMPA apoiaram o autor num parecer que cita as ações da música contra a Suno

O Tribunal de Apelação do Terceiro Circuito dos EUA recusou a defesa de uso justo para o treino de uma inteligência artificial. A decisão, de 29 de setembro e tornada pública no dia seguinte, deu razão à Thomson Reuters contra a ROSS Intelligence, que usou material derivado dos headnotes do serviço Westlaw para montar os dados de treino de um buscador jurídico concorrente. A LegalEase Solutions e uma subcontratada copiaram os headnotes em memorandos de treino. Nenhuma empresa de música era parte, mas a RIAA e a NMPA, entidades das gravadoras e das editoras americanas, apoiaram a Thomson Reuters num parecer conjunto que cita, em nota de rodapé, os processos de seus associados contra a Suno, a Udio e a Anthropic.
Para a Music Business Worldwide, o raciocínio pode pesar no processo da Universal e da Sony contra a Suno, outra empresa de IA, mas a Suno pode alegar que não existe um acervo livre de gravações, como existia de decisões judiciais. A segunda ação das gravadoras contra a Suno lista 60.202 gravações. Pela conta da MBW, multiplicadas pelo máximo de US$ 150 mil por obra que a lei prevê, elas dão um teto teórico de pouco mais de US$ 9 bilhões. É um limite hipotético, não uma indenização definida.
Entenda os termos
- uso justo
- regra da lei americana de direito autoral que permite usar obra protegida sem autorização em alguns casos, como crítica, ensino ou transformação da obra.
- headnote
- resumo editorial curto de um ponto de direito de uma decisão judicial, escrito pela equipe do serviço de pesquisa jurídica.



