EUA processam revendedora acusada de comprar 7.624 ingressos para um só show de Beyoncé
Segundo a ação do Departamento de Justiça e da FTC, a REPS & Co usou cerca de 1.300 contas nesse show e, no total, lucrou pelo menos US$ 120,8 milhões com revenda

O Departamento de Justiça (DOJ) e a Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos processaram a REPS & Co, revendedora de ingressos de San Diego, na Califórnia, e executivos da empresa. Segundo a ação, eles violaram leis federais para revender ingressos com pelo menos US$ 120,8 milhões de lucro, de acordo com a FTC.
A acusação se baseia na Better Online Ticket Sales Act, a lei BOTS. Segundo o DOJ e a FTC, a REPS abriu milhares de contas na Ticketmaster, na AXS e em outros serviços de venda para passar por cima do limite de compra de cada plataforma. Segundo a FTC, a empresa comprou mais de 18,5 milhões de ingressos para pelo menos 83.500 eventos, com shows de Beyoncé, Post Malone e Pitbull, entre outros.
No caso de Beyoncé, as agências afirmam que a REPS usou cerca de 1.300 contas para comprar 7.624 ingressos de um único show da Renaissance Tour, em 1º de outubro de 2023, no Arrowhead Stadium, em Kansas City, e lucrou cerca de US$ 833.323 com eles. Num show de Pitbull em 2024, no Empower FCU Amphitheater, foram 700 contas para 5.430 ingressos e mais de US$ 120 mil de lucro, segundo a ação.
As agências dizem que a empresa contratou compradores nas Filipinas e escondeu os endereços de IP, que identificam cada conexão na internet, com o uso de VPNs, redes que mascaram a origem do acesso. Para o DOJ e a FTC, o modelo de negócio da REPS "se baseia em identificar eventos com alta procura e comprar os ingressos antes que os consumidores comuns consigam". A ação diz que esses consumidores poderiam ter comprado os mesmos ingressos direto das vendedoras oficiais, por preços menores.
Christopher Mufarrige, diretor do Departamento de Proteção ao Consumidor da FTC, disse em comunicado que "todo o modelo de negócio da REPS" é tentar burlar o sistema de compra para revender a preços inflados. Representantes da REPS não responderam ao pedido de comentário da Hollywood Reporter. É uma acusação, ainda sem julgamento.
O processo chega num momento de mais fiscalização do governo americano sobre o mercado de shows. No ano passado, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que pede mais rigor na aplicação da lei BOTS. Também no ano passado, a FTC processou a Live Nation, dona da Ticketmaster, acusando a empresa de se coordenar com revendedores para que eles conseguissem ingressos antes do público comum.
Entenda os termos
- lei BOTS
- Better Online Ticket Sales Act, lei federal dos Estados Unidos que proíbe burlar os controles de compra das vendedoras de ingressos online, como o limite por pessoa.



