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Morre Benito Di Paula, aos 84 anos

O cantor, compositor e pianista fez sucesso nos anos 1970 com "Retalhos de Cetim" e "Charlie Brown" e levou o piano para o centro do samba

Por Redação The Inherent · 21:13 · 19/10/2026

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Morre Benito Di Paula, aos 84 anos
Foto: Murilo Alvesso.

O cantor, compositor e pianista Benito Di Paula morreu na noite de domingo (18), aos 84 anos, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Segundo o g1, a morte foi causada por complicações de um câncer de próstata, contra o qual ele lutava havia cerca de um ano. Até a publicação do obituário, não havia informações sobre velório e enterro.

Benito nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo (RJ), e foi criado no Rio de Janeiro. Morreu a um mês de completar 85 anos. Ele nunca se considerou sambista da linhagem de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, seus contemporâneos de sucesso na década de 1970. Preferia se chamar de sambeiro e pianeiro.

O piano era a assinatura. Benito tocava as teclas como percussão, fazendo a batucada no próprio instrumento, num suingue que, segundo o crítico Mauro Ferreira, do g1, antecipou o pagode paulista dos anos 1990, de grupos como o Raça Negra, cheio de teclados. Ele aprendeu esse jeito de tocar nas boates, e ficou conhecido nos programas de auditório da TV pelo visual de anéis, casacas, colares, gravatas borboleta e cabelo comprido.

A estreia em disco foi em 1967, e o primeiro álbum, "Benito Di Paula", saiu em 1971. O segundo, "Ela" (1972), trouxe o primeiro sucesso, "Violão não se empresta a ninguém". O auge começou em 1973, com o samba-canção "Retalhos de Cetim", e seguiu até 1977, com "Charlie Brown" (1974), "Bandeira do samba" (1975), "Do jeito que a vida quer" (1976), "Assobiar e chupar cana" (1977)... Esses discos saíram pela gravadora Copacabana, onde ele ficou até 1980.

O último sucesso foi "Amigo do sol, amigo da lua" (1984), tema da novela "A gata comeu", da TV Globo, em 1985. Benito lançou discos com regularidade até "Baileiro", de 1996, e depois só mais dois álbuns de inéditas, "A felicidade é nossa" (2017) e "O infalível zen" (2021), com o qual comemorou 80 anos.

Nos últimos anos, a obra dele foi reavaliada e ganhou tributos. Em 2025, Benito foi enredo da escola de samba Águia de Ouro, do Carnaval de São Paulo, e desfilou num dos carros alegóricos.

Entenda os termos

samba-canção
Vertente do samba mais lenta e romântica, com letra de amor ou de dor, que se firmou nas rádios e nas boates a partir dos anos 1930.

Fontes

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